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PERDA DE HABITAT

Metade das populações de espécies migratórias protegidas estão em declínio, diz novo relatório

Degradação de habitats impacta animais viajantes, alerta convenção da ONU; espécie de boto da Amazônia é citado como exemplo deste impacto negativo

6 de março de 2026
Marco Britto
4 min. de leitura
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Tartaruga Marinha na praia de Turtle Bay, no Havaí. Foto: Edmund Garman/Wikimedia Commons

Mesmo as espécies migratórias sob proteção de tratados de preservação estão em declínio, alerta documento publicado nesta quinta-feira (04/03) pela CMS, convenção das Nações Unidas dedicada a discutir a proteção destes animais.

Uma atualização preliminar do relatório Estado das Espécies Migratórias do Mundo de 2024 aponta que metade (49%) das populações de espécies migratórias protegidas estão em declínio, um aumento de 5% em apenas dois anos, comparado a aferições anteriores.

Os dados mostram ainda um leve aumento na porcentagem de espécies protegidas à beira da extinção: 24%, um aumento de 2%, sendo os pássaros os mais afetados.

Os novos alertas serão apresentados na 15ª reunião da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens, a chamada COP15 do CMS, evento a ser realizado na cidade brasileira de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, de 23 a 29 de março. Com duração de uma semana, a conferência é considerada um dos encontros globais mais importantes para a proteção da vida selvagem.

“Bilhões de animais selvagens aquáticos, terrestres e aves migram por terra, rios, oceanos e céus. São essenciais para o bom funcionamento da natureza e para o bem-estar humano, polinizando plantas, transportando nutrientes, regulando ecossistemas, controlando pragas, armazenando carbono e sustentando meios de subsistência e culturas em todo o mundo. Sua sobrevivência depende de ações coordenadas ao longo de toda a extensão de suas rotas migratórias, que podem cruzar múltiplas fronteiras nacionais e até mesmo continentes”, afirma a CMS em comunicado.

Áreas vitais para a proteção das espécies no mundo precisam de mais proteção, ressalta o relatório, uma vez que 47% de territórios considerados chave estão desprotegidos.

A exploração excessiva, que gera a perda e a fragmentação de habitats são as maiores ameaças às espécies migratórias em todo o mundo, observa Amy Fraenkel, secretária executiva da CMS.

“Esta atualização provisória mostra que o alarme ainda está soando. Algumas espécies estão respondendo a ações de proteção conjuntas, mas muitas continuam a enfrentar pressões crescentes em suas rotas migratórias. Devemos responder a essas evidências com ações internacionais coordenadas e eficazes.”

Apesar dos dados alarmantes, o relatório divulgado contém também casos de sucesso na proteção da biodiversidade. O quadro das tartarugas marinhas “parece estar melhorando”, afirma o documento. A proporção de unidades regionais de gestão de tartarugas marinhas classificadas como de “baixo risco/baixa ameaça” aumentou de 23% em 2011 para 40% em 2024. No mesmo período, as categorias de risco/ameaça melhoraram em 54% das áreas de proteção, piorando em 15% delas.

A captura acidental na pesca é considerada a pressão mais severa sobre todas as tartarugas marinhas, ressalta a publicação, citando dados da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Outra boa notícia vem dos esforços de proteção do antílope saiga, espécie atingida por uma doença severa na década passada, e que agora passou do status de “ameaçado” para “quase ameaçado”. A proteção de habitats no Cazaquistão, bem como a proibição da caça são apontados como fatores que contribuíram para este êxito.

No total, sete espécies na lista de vulneráveis da CMS melhoraram seus status de proteção desde 2022, informa o relatório, incluindo aves, mamíferos terrestres e marinhos.

O boto amazônico tucuxi (Sotalia fluviatilis), espécie considerada ameaçada de extinção pela CMS, enfrenta uma série de ameaças, ressalta a análise. O mamífero vem sendo alvo do emaranhamento acidental em equipamentos de pesca, da captura deliberada e da perda de conectividade do habitat na bacia do rio Amazonas, devido a atividades humanas como a construção de barragens.

Acesse aqui o documento completo.

Fonte: Um só Planeta

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